Você sabe a diferença de prazer e satisfação? Em que você tem baseado as suas escolhas?

A imagem atual não possui texto alternativo. O nome do arquivo é: satisfacao-ou-prazer-dicotomia-1200x675-1.jpg

Preparando uma das minhas aulas recentemente me vi dividida entre esses conceitos… Já parou para pensar neles? Temos prazer quando satisfazemos programas biológicos (dormir, comer, descansar, fazer sexo, etc). O prazer ajuda a manter o equilíbrio físico, mas não gera crescimento, não acrescenta nenhuma complexidade para o ser. São “apenas” momentos prazerosos que em sua consciência não trazem nenhum tipo de melhoria à sua essência.

Já a satisfação é decorrente daqueles acontecimentos onde você não apenas realizou um desejo, mas alcançou algo novo, e muitas vezes, além do que conseguia antes. Ela nasce até mesmo em situações em que a experiência não tenha sido agradável, mas que depois de concluída, sentimos satisfação.

Quando entramos numa dieta, por exemplo, ou quando começamos uma atividade física, normalmente é bem complicado, não é? Mas a sensação de conquista do objetivo é o que chamamos de satisfação. Simples assim… Quando passamos por um desafio, o momento até pode não ser bom, mas quando ele é concluído e o sucesso aparece, nosso ser se expande e wow… Lá está ela… a satisfação plena!

Buscar satisfação significa que teremos que aumentar nossos desafios.

E cuidado: não procure encontrar a satisfação baseado apenas na recompensa. Com o tempo, a recompensa deixa de fazer sentido e aí vem aquele sentimento de vazio e até de insatisfação com a vida. Sabe o que acontece então?

A necessidade de prazer se intensifica. A satisfação não está relacionada com o que você vai ganhar em troca, mas sim com o que vai sentir.

Hoje em dia, as pessoas gastam seu dinheiro na busca de prazer, justamente por não saberem que em longo prazo, essa busca não se sustenta. Não há qualidade de vida autêntica a não ser que se aprenda a construir satisfação ao invés de prazeres momentâneos. Por mais piegas que possa parecer, o prazer é fugaz!

Não nos desenvolvemos em atividades unicamente prazerosas. Estourar o cartão de crédito, comprar por comprar, comer por comer, apontam um grande problema no entendimento dos conceitos de prazer e satisfação. Quantas pessoas você conhece que gastam seu dinheiro todos os dias para se sentir felizes com coisas que na verdade nada tem a ver com sua satisfação?

Nos meus atendimentos de coaching, atendi uma senhora que tinha mais de cem pares de bota. Era sua fixação. Ela comprava botas mesmo quando não servia, mas tinha que comprar porque dizia que sentia grande prazer. Com um tempo de trabalho, descobrimos que a bota simbolizava para ela um marco de poder e, assim, trocamos seu comportamento compulsivo de comprar botas por outras atividades que ela podia exercer seu poder.

Gosto de relatar este caso porque é um caso real e bem recorrente entre as mulheres. Mas não quero rótulos ou estereótipos por aqui…. Homens não estão de fora desse comportamento, eles também gastam seu tempo e dinheiro com coisas que podem trazer prazer momentâneo.

E aqui vale um parêntese: ter prazer não é um problema! Pelo contrário, o ser humano precisa ter momentos de prazer. O que se torna um problema é permitir que a busca do prazer se torne repetitiva e compulsiva. Porque se você olhar para o lado, você vai perceber que, na verdade,

As pessoas estão insatisfeitas gastando em prazeres o tempo todo.

A cultura de consumo na qual estamos inseridos tornou o prazer e a satisfação em abstrações quase inatingíveis. A realização nunca acontece! Exige-se sempre um pouco mais… É um estado utópico, sem saciedade. A compulsão pelo prazer consome tudo à volta e a satisfação nunca acontece.

Depositamos nossas expectativas no carro do ano, na marca da bolsa, num corpo sarado, nos relacionamentos, no dinheiro, na fama etc. Há vários objetos que simbolizam essa busca pelo prazer. E assim, as pessoas acabam impondo a si mesmas a falta de plenitude no presente ou em como estão no momento, adiando a satisfação para um futuro inalcançável.

A busca de satisfação exige que nossa energia psíquica esteja investida em metas novas e desafiadoras. Muito mais do que direcionar nossa ação para coisas que desejamos TER, ela está relacionada à situações em que poderemos SER melhores. Por estar relacionada a desafios a serem superados, temos que ter em mente que a satisfação não é fácil de obter e que dará trabalho atingi-la. Deveremos nos esforçar a conquistá-la e mantê-la. Agora olha que legal:

a satisfação é duradoura, o prazer é passageiro.

Uma boa habilidade para se ampliar a qualidade de vida em tempos tão complicados como os que temos vivido é ter capacidade de transformar a adversidade em desafio e então, se “agarrar” a esse desafio como um possível fato gerador de satisfação. É conseguir transformar as ameaças potenciais em desafios satisfatórios e metas pessoais que ao serem atingidas nos tragam aquele sentimento de WOW! CONSEGUI.

É claro que nesse percurso podem surgir todos os tipos de problemas. A tentação é desistir e procurar situações menos exigentes. Mas quem modifica suas metas sempre que encontra oposição, pode até conseguir uma vida mais confortável em curto prazo, mas uma vida vazia, frustrada e sem sentido.

Para o senso de autoestima, não importa se realizamos totalmente o propósito, e sim se o esforço foi utilizado para alcançar a meta, ao invés de ser desperdiçado. Reflita se em sua vida você tem feito escolhas por puro prazer ou pensando em sua satisfação?

Ousaria dizer que qualquer escolha que você fizer baseada em satisfação a realização é certa, pois você estará usando a base fundamental para preencher seu ser e expandir-se como ser humano. Agora se suas escolhas forem baseadas em prazer, o insucesso está a caminho e você terá grandes problemas pela frente. Pense nisso. Reconhecer suas fraquezas torna você mais forte!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *