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Nos últimos meses, tudo em mim se reorganizou: mudei de casa, mudei de empresa, mudei de ritmo. E, no meio desse recomeço, sentei como aluna em um treinamento de inteligência emocional durante o meu onboarding. Um tema nada novo para mim — pelo contrário. Eu “ensino” esse assunto, facilito conversas difíceis, desenho programas inteiros sobre isso para times comerciais que vivem sob pressão.

Sentar ali como participante, e não como consultora, trouxe mais uma camada… Foi como revisitar conceitos que eu já domino, só que agora atravessados por um momento de vida que também pede regulação, presença e honestidade emocional.

O pilates e yoga têm ajudado a manter um pouco de equilíbrio, mas sem a responsabilidade de aprender ou ensinar, percebi algo simples e poderoso: inteligência emocional não se prova na sala de aula, mas no intervalo entre uma escolha e outra… Nos microgestos, nas reações que evitamos ou permitimos, nos limites que definimos, nas conversas que adiamos…

Revisitar esse conteúdo fez com que eu me observasse com mais nitidez — não pela ótica teórica, mas pelo impacto real no meu dia a dia, dos meus filhos, das pessoas que me cercam (e das que afastei de mim também).

O treinamento começou discutindo a tendência social de subestimar emoções, como se a razão fosse a única bússola legítima para boas decisões. É curioso ouvir isso numa fase em que minhas próprias emoções — cansaço, empolgação, ansiedade e vontade de reorganizar tudo — convivem lado a lado. A teoria dizia: emoção não atrapalha. Emoção informa. E, por mais que eu repita isso há anos para clientes, senti que a frase me atravessou de um jeito diferente agora.

Vimos arquitetura cerebral, falamos de mercado e de empresas que ainda contratam só pela régua técnica gerando times brilhantes no “papel”, mas frágeis nas relações. Líderes ótimos em estratégia, mas ausentes no dia a dia… “Grandes resultados, Pequenos vínculos” – parafraseando a revista de negócios. Um padrão que já vi de perto… e que diz muito sobre o quanto ainda precisamos equilibrar cabeça e emoção no trabalho.

E aí, entramos na lógica tradicional da IE de Daniel Goleman.. Passamos a reconhecer a inteligência emocional como uma competência que começa dentro — literalmente dentro. Conscientizar emoções. Nomear emoções. Entender o que elas sinalizam. E só então decidir como agir. Foi impossível não relacionar isso ao meu momento atual. Mudar de empresa mexe. Mudar de casa mexe mais ainda. Ver o filho sair de casa mexe um tanto mais. E entender a intensidade emocional desse ciclo não é fraqueza — é autoconsciência.

O segundo passo: autogestão. Lidar com emoções sem deixar que elas definam o comportamento. Regular impulsos. Reter reações. Escolher respostas. Eu me vi ali. No ritmo novo. Na cobrança interna por performar rápido. Na vontade natural de fazer acontecer. E na consciência de que pressa não combina com profundidade.

Nesse ponto, nasce a motivação. Não como euforia, mas como capacidade de colocar a emoção à serviço de mim mesma. E olha: não tem sido fácil… Mas, como eu escolho me mobilizar diante dessa consciência? O que me entusiasma nesta fase e o que me desgasta? Perguntas simples, mas que mudam a minha forma de entrar em projetos, liderar conversas e desenhar soluções. Clareza do meu porquê e para que.

E é desse ponto, com uma maior clareza interna, que consigo perceber melhor o outro… Chego a achar engraçado algumas provocações… Perceber o outro não começa no outro. Só entende sentimentos alheios quem reconhece os próprios. Para alguém que trabalha com vendas, liderança e desenvolvimento humano, esse lembrete é mais do que útil: é estrutural. Empatia não é suavidade. É precisão. Louco, né? Entender o timing, calibrar a comunicação, ajustar o gesto.

O que certamente tem impactado a gestão dos relacionamentos — a competência que costura todas as outras. A forma como nos comunicamos, como influenciamos, como resolvemos tensões, como nos apresentamos. Para quem está se reinserindo em uma nova empresa ou simplesmente conhecendo seus vizinhos, isso se torna ainda mais evidente: cada conversa, cada leitura de ambiente, cada microescolha contribui para construir reputação e clareza.

É, amigos deste blog, terminei o treinamento não com conteúdo novo, mas com um espelho mais limpo. Inteligência emocional deixou de ser apenas um tema que eu ensino. Virou um tema que eu estou vivendo — na prática, na transição, nas escolhas pequenas do dia. Um lembrete de que mudança externa só se sustenta quando acompanha mudança interna. E que, no fim, nosso trabalho não é dominar as emoções, mas aprender a caminhar com elas.

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