Estou prestes a completar 49 anos. Tenho dois filhos incríveis, trabalho, cuido da casa, faço academia (quando dá), jogo beach tennis (quando quero) e, como muitas mulheres, levo uma rotina intensa, que mal paro para respirar.

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A pedido da minha coach, Aline Swalf, assisti à palestra da Susan David no TEDx sobre coragem emocional — e confesso, aquilo mexeu comigo. Resolvi colocar em prática algumas dessas ideias e compartilhar com vocês por aqui sobre como elas aparecem, de verdade, no meu dia a dia.

Aceitando minhas emoções (mesmo as desconfortáveis)

Na correria para dar conta de tudo — trabalho, filhos, casa, meus próprios sonhos —, costumo me cobrar demais. Às vezes, bate a culpa: será que estou dedicando tempo suficiente aos meus filhos? Será que sou uma boa mãe, uma boa profissional, uma boa namorada, uma boa amiga? São tantos “serás”.

Antes, eu engolia esse sentimento, tentava me convencer de que era bobagem sentir culpa ou cansaço. Mas de uns tempos pra cá, comecei a aceitar que sentir culpa, angústia ou cansaço não me torna pior; apenas me mostra que me importo. Em dias difíceis, permito-me sentir tristeza ou exaustão, sem me julgar tanto. Isso mudou meu olhar para mim mesma.

O mito do “pensamento positivo” o tempo todo

Sempre ouvi que “tudo vai dar certo” e que precisamos focar apenas no lado bom das situações. Só que, para ser sincera, nem sempre consigo acreditar nisso. Alias, fiz um post sobre positividade tóxica esses dias… (Clica aqui que tem a ver com o assunto)

Quando levo uma baita rasteira no trabalho ou quando meu filho mais velho enfrenta uma dificuldade no trabalho, por exemplo, ou quando o mais novo perde um jogo (ele é atleta), se fecha no quarto e parece triste, não dá pra só olhar o “lado cheio do copo”.

Esses são mais alguns momentos que estou buscando validar. Se estou preocupada, me escuto e aceito que está tudo bem não estar bem o tempo todo. Isso não me torna negativa; me torna humana.

Narrando minhas emoções com clareza

Outro exercício que passei a fazer é nomear o que sinto. Sempre dizia “estou estressada”, mas agora tento ir além: “estou frustrada porque queria ter mais tempo para mim”, ou “estou ansiosa porque meu filho vai fazer um jogo importante” ou “estou triste porque meu namorado está longe”. Dar nome e sobrenome aos sentimentos ajuda a encontrar caminhos práticos para lidar com eles — e até pedir ajuda, quando preciso.

Flexibilidade psicológica na prática

Minha rotina nunca é igual — basta um cliente mudar a data de um treinamento, uma reunião inesperada aparecer, ou o trânsito travar tudo. Antes, isso me deixava perdida e ansiosa (e por vezes, p&t@ da vida). Agora, tento lembrar que posso me adaptar. Se o jantar não sair como o planejado, podemos improvisar um lanche. Se algo foge do controle, respiro fundo e lembro dos meus valores: estar presente, agir com intencionalidade e cuidar do que importa.

Atenção plena: pequenos momentos de respiro

Entre uma tarefa e outra, comecei a tirar uns minutinhos para mim, mesmo que seja só tomar um café em silêncio ou sentir o vento na varanda aqui da sala ou deixar uma das cachorras sentar no meu colo no meio da tarde. Esses momentos de “pausa intencional” me ajudam a perceber minhas emoções sem ser “engolida” por elas. Muitas vezes, volto mais leve para os próximos desafios do dia.

O potinho de parabéns: celebrar minhas pequenas conquistas

Inspirada pela vontade de acolher minhas emoções sem julgamentos, criei um “potinho de parabéns”. Todos os dias, separo alguns minutinhos para refletir sobre o que fiz bem, mesmo que pareça pequeno: consegui terminar um projeto no trabalho, preparei a comida preferida dos meus filhos, acordei cedo e fui pra academia ou simplesmente consegui ter um momento de conversa sincera com eles no final do dia.

Escrevo cada conquista num papelzinho e coloco no potinho. Esse ritual virou, para mim, uma forma de reconhecer e aplaudir meus próprios esforços — sem depender da validação de ninguém. Ao ler os papéis acumulados no fim de semana, percebo o quanto faço por mim e pela minha família, mesmo com todos os perrengues do cotidiano. E isso, realmente, não tem preço, Aline Swalf

Refletindo sobre tudo isso, percebo que a coragem emocional não é um conceito distante, reservado a especialistas. Ela está no jeito de encarar nossos “picos e vales” com sinceridade, sem tentar camuflar sentimentos ou fingir perfeição. É um presente que ofereço a mim mesma neste novo ciclo de vida — e, de quebra, um exemplo para meus filhos de que ser corajosa é, antes de tudo, ser verdadeira com o que sentimos.

Se tem algo que Susan David me ensinou, é que sentir é parte do processo. E, no meio da rotina puxada, cuidar das emoções é também cuidar da minha história.

Se quiser assitir ao TED também, está aí pra você… Aproveita e me conta o que ficou vivo em você <3

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