O Brasil perdeu para a Noruega.
E antes que alguém transforme isso apenas em azar, arbitragem, escalação ou “futebol é assim mesmo”, talvez valha olhar para uma camada menos confortável: às vezes, o problema começa quando a gente acha que entendeu o jogo antes de jogar. E esse papo acabou de rolar aqui com o meu filho no sofá…

Esse é um dos pontos mais interessantes do Efeito Dunning-Kruger. Ele não fala apenas sobre “não saber”. Fala sobre não perceber o quanto ainda não se sabe.

O que mais me chamou atenção na derrota do Brasil para a Noruega não foi só o placar. Foi o contraste de comportamento. Vamos lá…

De um lado, o Brasil parecia jogar com a sensação de que, em algum momento, o jogo iria se resolver… Teve pênalti. Teve chance. Teve troca. Teve nome. Teve camisa. Teve o craque. Mas faltou transformar tudo isso em decisão.

Do outro lado, a Noruega não precisou parecer brilhante o tempo inteiro. Ela esperou. Ajustou. Sustentou o desconforto. Aceitou jogar um jogo menos bonito e mais objetivo. E aí apareceu Haaland. Curioso é que, antes da partida, ele tinha jogado o favoritismo para o Brasil. Falou em poucas possibilidades. Baixou a espuma. Reduziu o barulho. Mas em campo fez o oposto do discurso.

Não precisou aparecer toda hora. Não precisou dominar a narrativa do jogo inteiro. Não precisou provar nada a cada lance. Precisou de espaço. De leitura. De precisão. De presença na hora certa. E talvez seja aí que essa derrota fique mais interessante para pensar comportamento.

Às vezes, o excesso de confiança aparece de forma mais silenciosa do que os gritos das torcidas… O Efeito Dunning-Kruger fala justamente sobre essa falha de calibragem: quando a percepção sobre a própria competência fica maior do que a leitura real da situação. Não estou dizendo que o Brasil “não soube jogar”. Seria simplista.

Estou dizendo que, em alguns momentos, o Brasil pareceu confiar mais no que representa do que no que estava conseguindo produzir. E a Noruega fez o contrário. Entrou menor no discurso. Mas foi maior na execução.

E olha: torci muito… Também ganhei esperança ao longo da primeira fase… Mas hoje vi uma seleção que me fez ver coisas que vão além do campo: não basta ser bom. É preciso perceber, durante o jogo, se aquilo que você acredita que sabe realmente está funcionando.

Assiste o vídeo pra entender como isso se explica… e deixa seu comentário.

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