“O neoliberalismo remodelou profundamente não apenas as relações econômicas, mas também nossa relação uns com os outros. Qualidades como solidariedade, gentileza e cuidado mútuo passaram a ser não apenas desvalorizadas, mas consideradas características humanas irrelevantes. Sob o neoliberalismo, fomos reduzidos a Homo Economicus, humanos racionais preocupados apenas com nossos interesses pessoais.” (Zygmunt Bauman)

Sim! Eu sou uma admiradora de Zygmunt Bauman, o sociólogo dos tempos líquidos… Se você não conhece suas obras, vale a pena. 😉
E graças a tantos mergulhos nessa liquidez, esses dias me vi pensando sobre a solidão… Você se sente solitário? Se sim, saiba que você não está sozinho. A solidão é um problema crescente no mundo todo (a OMS já considera a solidão uma epidemia global), e o Brasil está em primeiro lugar em um ranking que mede esse sentimento.
No Brasil, apenas 11% das pessoas confiam no próximo, sendo que a média global é 30%, 50% das pessoas se sentem sozinhas, número acima da média mundial, 28% tem no máximo uma amizade próxima, e 1 em cada 5 têm menos amizades do que antes da pandemia. [Fonte: Vibes em Análise]
E na linha do #MandaDados, dá só uma olhada nesses números:
- Além de liderar o ranking de solidão, o Brasil também enfrenta desafios na qualidade das relações. Uma pesquisa do Instituto Ipsos apontou que 25% dos brasileiros não têm com quem contar em momentos difíceis.
- Dados do IBGE mostram que, nos últimos anos, houve um aumento no número de pessoas vivendo sozinhas no país.
- A pesquisa “Viver em São Paulo”, realizada pela Rede Nossa São Paulo, revela que a solidão é mais prevalente entre os jovens na cidade, com 29% dos entrevistados entre 18 e 34 anos se sentindo solitários
- O Relatório Econômico Global da Gallup indica que a solidão no local de trabalho pode resultar em uma queda de produtividade de até 21%.
- Dados do World Economic Forum sugerem que os custos associados à solidão no ambiente de trabalho podem chegar a trilhões de dólares globalmente.
Pois é… Tem mais um: a solidão é tão prejudicial à saúde quanto fumar 15 cigarros por dia. Ela aumenta o risco de doenças coronárias, AVC, demência e morte prematura.
Estresse, trauma, burnout, ansiedade, depressão, insônia – nossa saúde mental está diretamente relacionada ao quanto nos sentimos sozinhas. Ou seja, falar de solidão também é papo pra LinkedIn.
Mas solidão não é apenas estar sozinho. É principalmente a falta de conexões significativas com outras pessoas. Relações tóxicas, superficiais, conflituosas, competitivas ou esvaziadas de maneira geral produzem um tipo de “solidão acompanhada”, que desencadeia todo tipo de estresse que experimentamos igualmente na solidão. Por isso, o ditado “antes só do que mal acompanhado” parece fazer tanto sentido.
Esse sentimento, que pode chegar a uma solidão crônica pode nos tornar mais suscetíveis a doenças, aumentar o risco de depressão e ansiedade, e até mesmo levar ao suicídio.
Nossa, Ana, o que podemos fazer?
- Admitir a importância das relações e as consequências da solidão. Precisamos reconhecer que a solidão (só ou acompanhada) é um problema sério que afeta nossa saúde física e mental.
- Avaliar a qualidade das nossas relações e do nosso pertencimento aos grupos que fazemos parte. É importante ter relações significativas com outras pessoas, seja com amigos, familiares, colegas de trabalho, igreja, clube ou membros da comunidade.
- Ampliar nosso autoconhecimento e repertório para agir nas nossas relações e mudá-las intencionalmente. Podemos fazer isso participando de atividades em grupo, voluntariando-se, ou simplesmente conversando com as pessoas que nos rodeiam.
- Praticar colocar-se no lugar do outro, buscando compreender suas experiências e emoções. A empatia fortalece as conexões e contribui para relacionamentos mais saudáveis.
- Aprender a dizer não quando necessário, estabelecendo limites claros em suas relações. Isso contribui para um equilíbrio saudável e evita sobrecarga emocional.
- Ser gentil consigo mesmo, reconhecendo que todos enfrentam desafios e momentos difíceis. A autocompaixão é fundamental para manter uma perspectiva positiva e resiliente nas relações.
A solidão é um problema que afeta todos nós, mas juntos podemos construir um mundo mais conectado e menos solitário.
Lembre-se: a solidão é um problema que pode ser solucionado. Se você se sente solitário, procure ajuda. Existem muitas pessoas que se preocupam com você e querem te ajudar.