
Sempre que falamos em empreendedorismo, normalmente, o primeiro pensamento nos remete à pessoas que têm seu próprio negócio, não contam com salário fixo e se “aventuraram” a deixar a estabilidade do emprego com carteira assinada e ousaram aproveitar alguma oportunidade do mercado. Mas também é possível ser empreendedor sendo empregado!
Aliás, essa é uma competência cada vez mais desejada para quem quer crescer no mercado de trabalho com salário garantido: é o intraempreendedor – o empreendedor que inova em uma organização que não é dele.
O conceito existe há mais de duas décadas, mas poucas empresas estavam dispostas a dar aos empregados a liberdade para criar, errar e oferecer-lhes um orçamento para financiar a inovação. Mas a pandemia parece ter evidenciado a necessidade de um novo comportamento empresarial e a valorização do intraempreendedorismo passou a ser uma maneira saudável de reconhecer talentos, ao mesmo em que ajuda a empresa a reagir aos desafios do novo milênio.
Hoje, qualquer bom funcionário é aquele que oferece um “algo mais”. Os empreendedores corporativos são aqueles que se dedicam ao trabalho como verdadeiros sócios do negócio. Não se limitam a realizar adequadamente suas tarefas, cumprir regras e “chutar a gaveta” quando acaba a hora do expediente. Eles têm comportamentos diferenciados e esperam ter a chance de gerar grandes ideias para, então, transformá-las em realidade.
Assim, como os donos de negócios bem sucedidos, intraempreendedores são criativos, dinâmicos, automotivados, cheios de energia, persistentes, bem relacionados, articulados, inteligentes, dotados de visão do futuro, perspicazes e mais uma série de qualidades. São profissionais que lidam bem com a busca pelo novo, sem medo dos riscos que possam correr por gerar uma ideia e compartilhá-la com seus superiores. Na verdade, o que importa é manter o foco na melhoria contínua de seu setor, departamento ou de toda a empresa. Vivem a inquietação de quem está sempre inconformado (mas não insatisfeito) e buscam se capacitar cada vez mais para superar os desafios que possam aparecer. Ah, são ousados esses tais profissionais.
Sob esta perspectiva, é difícil acreditar que pessoas que tenham esse perfil tão empreendedor não queiram ter um negócio próprio, certo?
Errado!
Para eles, colaborar com a empresa, ter bons salários e elevar o seu nome dentro da organização são objetivos tão importantes quanto ter seu próprio negócio. São pessoas valiosas e raras nas empresas, não importando em que departamento estejam, pois quase sempre “topam qualquer parada”.
É claro que sozinhas não vão revolucionar estratégias ou o negócio da empresa, mas o que vale é a cultura que se instala em empreendimentos que valorizem pessoas assim. Afinal, a alta administração precisa estar disposta a abrir mão da sua rigidez e do conservadorismo nos processos de tomada de decisão para incentivar colaboradores a opinar até surgirem melhorias efetivas.
Então, se você me acompanha por aqui, porque tem um negócio próprio, olhe com mais atenção para seus colaboradores e comece a enxergar aqueles com maior potencial de geração de novas ideias. O futuro da sua empresa pode estar ali, apenas esperando que você dedique seu tempo à eles. Mas, se você é um funcionário com as qualidades de um empreendedor, comece a por em prática suas ideias, converse com seus superiores, mude o seu futuro.
O consultor Gifford Pinchot, responsável pela introdução do termo intraempreendedorismo no Brasil elaborou 10 mandamentos que você pode seguir em seu dia-a-dia:
- Identifique seus aliados. Intraempreendedorismo não é uma atividade solitária;
- Compartilhe o mais amplamente possível as recompensas que receber;
- Solicite aconselhamento antes de pedir recursos;
- É melhor prometer pouco e realizar em excesso;
- Faça o trabalho necessário para atingir o seu sonho, independentemente de sua descrição de cargo;
- Lembre-se de que é mais fácil pedir perdão do que pedir permissão;
- Tenha sempre em mente os interesses de sua empresa e dos clientes, especialmente quando você tiver que quebrar alguma regra ou evitar a burocracia;
- Vá para o trabalho a cada dia disposto a ser demitido;
- Seja leal à suas metas, mas realista quanto às maneiras de atingi-las;
- Honre e eduque seus líderes.
Dá só uma olha no vídeo que conta a história de criação do Post-it. Ele descreve como o Dr. Spencer Silver e Art Fry, cientistas da 3M, idealizaram, desenvolveram e comercializaram o produto que hoje é usado no mundo todo (e que é super conectado com o conceito de inovação). Por que esse exemplo? Porque a prática utilizada pelos pesquisadores (e validada pela 3M) é uma forma de intraempreendedorismo que podemos resumir como o ato de um funcionário empreender dentro da empresa em que atua, gerando resultados melhores e consistentes por longo prazo.
Pratique; garanto a vocês que vale a pena. #GoMakers
“ Nunca antes houve tal empurrão para que os funcionários se apropriem de seu próprio pedaço de uma empresa ” – Alyson Krueger, jornalista do Fast Company