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“O Antonio faleceu!” essa foi a mensagem que encerrou a minha primeira semana de 2021. Depois de um ano cheio de inseguranças, desafios e descobertas de como fazer gestão de forma remota para mais de 400 pessoas e lideranças de 8 empresas, essa foi a frase que mais doeu em meu coração. E olha que ouvi outras tantas que também doeram…

Por mais que essa seja a nossa única certeza, lidar com a morte nunca é uma tarefa fácil. Tivemos mais de 20 casos próximos de COVID ao longo da pandemia, mas confesso que não esperava ter que administrar um momento tão duro. Mas lá estava eu…

Passamos a noite de sexta-feira buscando auxílio da operadora de seguros, encontrando alternativas para amparar a família e pensando nas primeiras ações que deveriam ser tomadas – como empresa e como ser humano. Afinal, no próprio time, temos outras pessoas diagnosticadas com o vírus, sentindo seus efeitos no corpo e (com essa notícia) na mente.

Além das questões legais, confesso que tudo o que pensava era na humanização e no respeito à dor, às escolhas e ao sofrimento dos familiares. Enviar coroa de flores, auxiliar no funeral e oferecer um profissional de assistência social ou psicólogo para acompanhar os primeiros dias após o impacto me pareceu o mais óbvio. E assim fizemos.

Mas como lidar com o luto e cuidar do famoso “clima organizacional” depois dessa notícia? 

Existem pessoas que não conseguem nem falar sobre o assunto, pois se sentem desconfortáveis com a temática. Há colegas em que o abalo pode ser maior ou menor, mas o fato certamente marcará a história da pandemia por aqui.

Durante o final de semana, liguei para alguns colegas de RH querendo encontrar uma resposta para a pergunta acima. Busquei referências e conversei com profissionais que pudessem me fazer repensar como planejar, atuar e lidar com a morte e o luto dentro da empresa. Afinal, o Antonio fazia parte de um time, e isso pode trazer aos demais, profunda tristeza e certa sensação de “vazio”.

Teorias psicológicas dizem que é importante passar pelo período de luto, pois é um processo emocional de aceitação da perda. Pessoalmente, estamos acostumados a associar o luto à tristeza, melancolia, crises choro e de ansiedade, estresse, raiva, insônia (ou sono excessivo), falta de apetite, apatia e desânimo para voltar à rotina.

Nas empresas, devemos nos preparar para um período de luto que pode apresentar falta de concentração, de atenção e de foco, menor produtividade, aparente cansaço e desânimo com as tarefas. Tais reações emocionais – que em plena pandemia podem ser potencializadas pelo medo e pela insegurança – devem ser compreendidas como parte do processo e irão depender de fatores como o grau de proximidade e intimidade entre as pessoas do time, o histórico de vida em relação a perdas, a saúde mental e a rede de apoio.

Para Bernardo Leite, psicólogo especializado em Comportamento Organizacional, a morte é tabu em qualquer lugar, mas, nas companhias, é algo ainda maior. “A empresa é o palco do poder e a morte é a constatação da ausência desse poder. As pessoas evitam tratar do tema”. Mas esse silêncio traz consequências e o melhor que podemos fazer é reconhecer que:

Não há como fazer gestão do que não podemos controlar.

Mostrar sensibilidade e reconhecer que esse momento dói também em nós não é apenas mostrar-se vulnerável, mas é também um meio de fortalecer o vínculo com a empresa dos colaboradores que seguem sua rotina, de preservar a confiabilidade, de aumentar o orgulho de pertencimento e da motivação em continuar o trabalho em todos os profissionais. 

Desejo paz à família do Antonio e que a volta ao Ceará seja um passo de união e conexão com sua essênciaSua partida, invariavelmente, me fez repensar muitas questões e certamente trará mudanças, tanto nos departamentos, como em alguns dos nossos processos. Agora, é hora de preparar a equipe para situações novas e para um positivo andamento dos trabalhos que não podem parar. De que forma?

Pensei em três possíveis ações de curto prazo:

  1. Oferecer atendimento psicológico com profissionais qualificados aos mais próximos que se sentirem abalados ou que também estejam diagnósticos com COVID;
  2. Realizar pausas no expediente para conversas abertas com os colaboradores para perceber dificuldades, limitações ou desmotivação com o trabalho;
  3. Fazer contato pessoalmente com a equipe em home office, que antes tinha momentos de descontração e interação, mas podem estar sozinhos para o compartilhamento de ideias para a superação da perda.

Em relação à rotina e cuidados administrativos, existem outras intervenções:

Nada do que foi será, já diz a música. Mas ainda há tanta vida lá fora. Precisamos seguir alertas e cuidadosos. 

(OBS: esse não é um texto com dicas administrativas em caso de perda de um colaborador. As questões legais de rescisão, indenização, homologação e garantias, não estão aqui simplesmente porque o que é legal é o mínimo que devemos fazer)

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