A comunicação começa na palavra, mas só se completa quando intenção, corpo e escuta produzem entendimento.

A máxima pela qual se inicia o livro bíblico de João – “No princípio era o verbo” – carrega consigo um fundamento que evidencia o ponto de partida de qualquer relacionamento: a palavra é a expressão oral do conhecimento, do sentimento e do desejo. “Verbo” é a palavra por excelência, porque anuncia a ação que traça um roteiro ou desnorteia o processo de comunicação.
Do nosso princípio até os dias de hoje, a competência da comunicação tornou-se uma questão de sobrevivência e uma alavanca para nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Em termos individuais, a maneira como nos comunicamos revela a marca, o estilo e a impressão digital de nossa própria individualidade.
Entretanto, por não possuírem conhecimentos de técnicas corretas de comunicação, muitas pessoas falam sem dizer nada. Informam sem comunicar! Comunicação envolve troca de emoção e disponibilidade em conhecer-se, pois em processos bem construídos, o outro nos auxilia a reconhecer em nós mesmo coisas que talvez nem soubéssemos que sabíamos. Conseguir estabelecer empatia na sua mais completa capacidade de compreender o outro e suas diferenças é fundamental para que o processo de comunicação cumpra plenamente o seu papel.
Além disso, para obter o máximo da eficiência ao se comunicar, lembre-se que não bastam frases bem elaboradas ou uma perfeita oratória; é preciso utilizar-se dos recursos corretos. Se for falar pessoalmente com seu chefe ou apresentar uma proposta de projeto a novos investidores, tenha cuidado com sua aparência, postura, olhar, gestos e movimentação. Só a harmonia entre o que se diz e o que o corpo expressa pode levá-lo ao resultado que você pretende atingir.
E se você pensa que isso só é possível aos seres humanos mais extrovertidos, bons comunicadores podem ser desenvolvidos e preparados na arte da expressão oral. É um caminho que exige disciplina, observação e reflexão. Comece reconhecendo a dificuldade. Crie objetivos e metas para superá-la. Determine o tempo necessário. Ensaie em frente ao espelho e, de forma estratégica, supere os antigos hábitos negativos do processo de comunicação por iniciativas mais precisas e positivas.
No ambiente de trabalho, muitos ruídos não surgem da falta de informação, mas da distância entre aquilo que uma pessoa pretende dizer, o que efetivamente expressa e o que o outro consegue compreender. Instruções vagas, feedbacks adiados, mensagens sem prioridade e reuniões que terminam sem decisões mostram que falar não é suficiente. Uma comunicação eficiente precisa organizar o pensamento, reduzir ambiguidades e deixar claro o que deve acontecer depois da conversa.
Antes de uma interação importante, três perguntas podem ajudar: o que precisa ficar claro, o que o outro precisa compreender e qual ação espero como consequência? Essas respostas orientam a escolha das palavras, do tom, do canal e até do momento da conversa. Comunicar com intenção não significa controlar a reação do outro, mas assumir responsabilidade pela clareza da mensagem e criar melhores condições para que o entendimento aconteça.
Lembre-se que toda atividade profissional ocorre e é otimizada por meio da comunicação. Então, assuma sua própria palavra. Identifique seu próprio jeito de traduzir a realidade e estabeleça uma comunicação que possa ser a chave para a construção de um mundo mais harmonioso.
Coluna produzida para O Diário Empresarial
18 de junho de 2010