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Não faltam textos, artigos, livros e conselhos sobre a forma ideal de se conquistar um emprego. No LinkedIn, você encontra dicas de como se comportar na entrevista de emprego, que roupa utilizar, como formatar um funcional currículo (sem exageros e mentiras), que palavras evitar na hora em que estiver cara a cara com o entrevistador e como negociar o salário, nos casos em que a empresa dá a possibilidade ao candidato de falar sobre a sua pretensão salarial. Tudo deu certo, da seleção à contratação, só que, após algum tempo de empresa, você, por infindáveis motivos, deseja se desligar. Sim, desligar-se!

Aí, vem o X da questão: como fazer isso sem fechar as portas?

Independentemente do fato que está lhe fazendo pedir demissão, o procedimento deve ser simples e sem traumas e medos. Seja por fatores salariais, pelo horário que não se enquadra mais em sua agenda, por insatisfação pessoal na hora de produzir, por uma liderança tóxica, porque vai para outra empresa ou porque pretende investir em outra profissão, o seu desligamento não pode pegar seus superiores e o departamento de Recursos Humanos de onde trabalha de surpresa. Se importar com o outro é primordial para não criar obstáculos para oportunidades futuras.

Bem, decidido que não fará mais parte da corporação onde passou a maior parte do tempo dos últimos meses ou anos, o primeiro passo a dar é comunicar a sua saída com antecedência. Isso não significa que você deve avisar o porteiro ou o colega de bancada. É preciso chamar o seu chefe de forma reservada e informá-lo que vai se desligar, com cuidado e delicadeza.

Evite apontar defeitos na empresa e ficar se justificando. Ocupe este tempo com palavras de agradecimento por ter tido a oportunidade de fazer parte da equipe do chefe, por ter aprendido com ele e com os colegas e que o momento é de alçar novos voos profissionais e ponto. Ficar enfeitando demais o pavão também não dá certo. Você cai em descrédito e abre precedentes para quem lhe chefiou questionar a sua integridade moral e seus valores.

Lembre-se, demitir-se é fácil. Mas, demitir-se graciosamente não. Portanto, nem pense em avisar o seu desligamento hoje e não ir mais para a empresa amanhã. Não se incomodar com quem vai ocupar o seu lugar na linha de produção (seja braçal ou intelectual) aponta falta de responsabilidade, de comprometimento e de respeito. Dê um tempo, alguns dias, para que a corporação providencie um substituto e, se tiver oportunidade, ensine o serviço para o profissional que ocupará o seu lugar. Garanto, por experiência própria, que nem sempre é fácil passar por esses dias, mas é o que garante que você seja visto de forma profissional até o último dia.

Outra coisa essencial é não ficar tagarelando pela empresa toda, enquanto aguarda o seu desligamento, que notificou o chefe sobre a sua demissão. Neste meio tempo, inclusive, a linha de frente da corporação poderá optar em lhe fazer uma contraproposta interessante. Mas se ficar contando vantagem antes da hora, anunciando seus planos para seus colegas, isso não vai acontecer. Pelo contrário, dependendo do que cair no ouvido de seu chefe, você será dispensando antes do que previa.

E o mais importante de tudo: seja grato, sempre. Apesar de você ser empregado e ter recebido todos os meses por um trabalho que desenvolvia durante o expediente e pelo cartão de ponto que batia religiosamente, ninguém é obrigado a dar emprego para quem quer que seja. Empresa não é casa de caridade! Humildade vale mais que graduações e especializações. Acredite! 

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